domingo, 16 de março de 2008

domingo, 9 de março de 2008

Roupa feita com nanofibras poderá retitar energia do movimento

Nanogeradores do Dr. Zhong Li Wang, Capítulo 3. É bem assim que pode ser definido o anúncio dos novos progressos alcançados por esta pesquisa, que apresentou seus primeiros resultados em 2006. Para ver os capítulos anteriores, leia a reportagem Nanogeradores mais próximos da utilização prática.

Tecidos que geram energia

Com o desenvolvimento da técnica de fabricação dos nanofios geradores de eletricidade, os pesquisadores vislumbraram uma nova possibilidade para sua utilização: a fabricação de tecidos capazes de gerar energia.

O que não deixa de ser um bocado de otimismo, já que o protótipo agora apresentado tem apenas duas fibras - mas o conceito pode teoricamente ser estendido até uma roupa inteira.

Efeito piezoelétrico

Os nanofios de óxido de zinco geram eletricidade utilizando o efeito piezoelétrico - uma característica de determinados materiais que faz com que eles gerem eletricidade quando recebem uma pressão mecânica. No caso do tecido, a força mecânica poderia advir do movimento da pessoa ou até mesmo do vento.

Vento que também poderá ser aproveitado em cortinas feitas com o tecido gerador de eletricidade. Como os fios são nanoscópicos, mesmo a vibração sonora de um ambiente doméstico poderia resultar na geração de uma pequena quantidade de eletricidade.

Camadas de fibras

"Se nós pudermos combinar muitas dessas fibras em camadas duplas ou triplas em roupas, nós poderemos criar uma fonte de energia flexível e dobrável que, por exemplo, poderá permitir às pessoas gerar sua própria corrente elétrica enquanto caminham," afirmou o Dr. Wang.

As nanofibras geradoras de energia são ligeiramente diferentes dos nanofios apresentados nas etapas anteriores da pesquisa. Elas são feitas de materiais mais leves e conseguem capturar energia a partir de energia mecânica de baixa freqüência.

Roupa de ouro

Mas há também um inconveniente: a cada duas fibras, uma deve ser recoberta com ouro, para servir como eletrodo e para deflexionar as pontas dos nanofios.

No ritmo com que a pesquisa prossegue, contudo, os pesquisadores logo poderão aprimorar o projeto e descobrir novos materiais que permitam sua utilização prática. Afinal, uma roupa com metade das fibras recobertas de ouro provavelmente sairá bem mais caro do que uma porção de baterias de lítio.

Células solares começam a ser produzidas por impressão jato de tinta

A empresa emergente Konarka anunciou ter conseguido viabilizar a primeira produção comercial de células solares orgânicas por meio de impressão por jato de tinta.

Tintas especiais

A impressão por jato de tinta é uma técnica já bastante utilizada para a deposição controlada de soluções sobre diversos tipos de substratos. Ao invés das tintas das conhecidas impressoras domésticas, essas técnicas utilizam tintas especiais, que podem ser condutoras, semicondutoras ou até mesmo soluções biológicas.

As células fotovoltaicas tradicionais são fabricadas da mesma forma que os processadores de computador. Isso inclui materiais caros e salas limpas, livres de qualquer contaminação. Esses são os grandes responsáveis pelo seu alto preço, que tem inviabilizado a concorrência da energia solar com outras fontes alternativas de energia.

Células solares de heterojunção

Já a técnica de impressão fabrica as chamadas células solares de heterojunção em um ambiente industrial comum. Além disso, a deposição das tintas orgânicas pode ser feita em substratos de grandes tamanhos e em produção contínua na forma de rolos. As células fotovoltaicas tradicionais são construídas em pequenos lotes, sobre pastilhas de silício circulares de tamanhos reduzidos.

As células orgânicas impressas, contudo, não têm a mesma eficiência que as células solares de silício. Elas deverão encontrar mercados em nichos de baixa exigência de energia, como na alimentação de sensores ou de lâmpadas auxiliares.